Nascendo uma mãe

Muitas vezes já ouvimos que, quando nasce um bebê, nasce também uma mãe. Pois essa frase traduz muito bem o que vamos viver ao exercer a maternidade.

Eu re-nasci dois anos atrás, quase três. Minha gravidez não foi planejada, mas também não foi evitada. Estávamos no meio de uma mudança de cidade, procurando casa nova, e eu sem tomar anticoncepcional já por alguns meses por causa de enxaquecas. Um dia, percebi que a menstruação estava atrasada, mas nem dei muita bola. Até que, durante um almoço, simplesmente não conseguia nem olhar para a comida mesmo estando faminta. Dois testes de farmácia confirmaram a gravidez e eu ainda incerta de que aquilo estava mesmo acontecendo.

Só comecei a me sentir mesmo grávida depois do primeiro ultrassom. Quando vimos o coraçãozinho batendo, quando vimos um pontinho piscante que anunciava que havia um bebezinho ali. Aí comecei a admitir para mim mesma que uma transformação enorme estava mesmo acontecendo. E só no segundo ultrassom, o morfológico, aquele em que a gente vê os órgãos todos e, finalmente, o pontinho piscante ganha forma de pessoinha, foi que senti a primeira grande emoção da gravidez. A ideia de ter um bebê estava ganhando forma, peso, feição.

Então, meu filhote nasceu. Nem consigo descrever a mistura de sentimentos que vivi naquele dia. Medo, alegria, surpresa, adrenalina a mil. Meu filho chegou, meu filho saiu de mim. E, no exato momento em que ele nasceu, a mãe que sou nasceu também.

Por mais que a gente leia, se informe, converse com outras mães e gestantes, nada vai nos ensinar melhor sobre a maternidade do que nossos filhos. Pegamos uma dica aqui, um conselho ali, uma sugestão, uma recomendação, um palpite. Mas é no dia a dia que vamos ver o que dá certo e o que não dá. É vendo o que o bebê gosta, como se sente, o que o acalma, o que o agita, o que o irrita. É vendo como ele dorme melhor, como mama melhor, como brinca mais feliz. É observando muito. É juntando tudo e fazendo as coisas do nosso jeito.

É por isso que se diz que a mãe nasce com o filho. Porque é ele, e só ele, quem vai ensiná-la a maternar.

Sarah Moura
A mãe do Bento

 


Um comentário sobre “Muito prazer!”

  1. Marcia Pergameni disse:

    bem vinda flor!! tb tive um aborto antes de ter dois filhos. a gente sofre mesmo né! mas passou. Muito sucesso!

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Dra. Tatiane Vasconcelos

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